Corrigir o alinhamento da perna para aliviar a dor e preservar a articulação.
Este guia foi elaborado para o ajudar a compreender a sua condição e a opção cirúrgica de preservação da articulação: a Osteotomia. O nosso objetivo é corrigir o alinhamento da sua perna para aliviar a dor, melhorar a função e prolongar a vida natural do seu joelho, utilizando as tecnologias mais avançadas disponíveis.
O alinhamento correto da perna é crucial. Numa perna alinhada, uma linha reta imaginária (o eixo mecânico) vai da anca ao tornozelo, passando pelo centro do joelho, distribuindo o peso uniformemente. Quando este eixo se desvia, ocorre o desalinhamento:
Varo (Genu Varum): As pernas são arqueadas ("tipo cowboy"). O eixo passa pela parte interna do joelho, sobrecarregando o compartimento medial e desgastando a cartilagem e o menisco dessa zona. Esta é a deformidade mais comum.
Valgo (Genu Valgum): Os joelhos tocam-se ("joelhos em X"). O eixo passa pela parte externa, sobrecarregando o compartimento lateral.
Congénitas/Desenvolvimento: Algumas pessoas nascem com esta tendência ou desenvolvem-na durante o crescimento (ex: doença de Blount).
Pós-Traumáticas: Fraturas antigas que não cicatrizaram na posição perfeita podem alterar o eixo da perna.
Degenerativas (Ciclo Vicioso): O desgaste da cartilagem (artrose) num lado do joelho faz com que a articulação "colapse" para esse lado, agravando o desalinhamento e acelerando o desgaste.
A osteotomia não é para todos. É uma cirurgia de "preservação articular", indicada preferencialmente para pacientes que desejam manter o seu joelho natural e evitar uma prótese total numa fase precoce da vida. Os critérios ideais incluem:
Atividade: Pessoas que desejam continuar a praticar desportos de impacto ou ter uma vida muito ativa, atividades que são frequentemente restritas após uma prótese total.
Localização da Artrose: O desgaste deve estar limitado a apenas um compartimento do joelho (unicompartimental).
Mobilidade: Deve ter uma boa amplitude de movimento (flexão superior a 90º).
Preservação: Mantém a sua articulação, ossos e ligamentos naturais.
Atividade Física: Não há restrições para atividades físicas após a cicatrização completa, permitindo o retorno a desportos de alto impacto.
Adiamento da Prótese: Pode adiar a necessidade de uma substituição total do joelho por 10 a 15 anos ou mais.
Tradicionalmente, a osteotomia é realizada com guias convencionais e medições manuais durante a cirurgia ("técnica à mão livre"). No entanto, na sua cirurgia, utilizaremos a Instrumentação Específica do Doente (PSI). Esta técnica utiliza impressão 3D baseada na sua anatomia única para criar guias de corte personalizados.
Eis a comparação baseada em dados clínicos recentes:
O objetivo é corrigir o ângulo da perna com exatidão. Desvios superiores a 2-3 graus do planeado ("outliers") podem comprometer o resultado.
A técnica PSI permite-nos planear a cirurgia no computador antes de entrar no bloco operatório, o que reduz a necessidade de tirar Raio-X durante a cirurgia.
Tempo de Fluoroscopia (Raio-X): A técnica PSI reduz o tempo de exposição à radiação significativamente: cerca de 43 segundos com PSI contra 99 segundos na técnica convencional.
Dose de Radiação: A dose de radiação absorvida é reduzida de 7,8 mGy (convencional) para 2,9 mGy (PSI).
Número de Imagens: Em alguns estudos, o número de imagens de raio-X necessárias desceu de uma média de 55 (convencional) para apenas 8 (PSI).
Tempo Cirúrgico: Ao eliminar etapas de medição manual intraoperatória, a cirurgia pode ser mais rápida, com reduções de tempo reportadas entre 18 e 32 minutos.
Perda de Sangue: A técnica PSI pode reduzir a perda sanguínea intraoperatória em cerca de 53% (73 ml vs 156 ml) em comparação com métodos convencionais, devido à menor invasão do canal medular.
A cirurgia envolve o corte controlado do osso (tíbia ou fémur) para o realinhar.
Planeamento 3D: Antes da cirurgia, realizamos uma TAC (Tomografia). Um software cria um modelo 3D da sua perna e imprimimos um guia de corte que encaixa apenas no seu osso.
A Cirurgia:
Fixação: O corte é fixado com uma placa e parafusos de alta resistência para manter o novo alinhamento enquanto o osso cicatriza. Com a técnica PSI, o risco de fratura acidental da "dobradiça" óssea lateral é reduzido (ex: 9,5% com PSI vs 33,3% com técnica padrão num estudo comparativo).
A recuperação exige compromisso com a reabilitação, pois estamos a aguardar a consolidação óssea (como se fosse uma fratura controlada).
Internamento: A maioria dos pacientes tem alta em 1 a 2 dias.
Carga e Muletas: Geralmente, terá de usar muletas e evitar carga total ou parcial na perna operada durante 6 a 10 semanas, dependendo da cicatrização óssea.
A osteotomia é uma solução duradoura que apresenta excelentes resultados em pacientes bem selecionados.
Sobrevivência da Articulação (Evitar a Prótese):
Satisfação: Estudos de longo prazo mostram que 97% dos pacientes reportam estar satisfeitos com a cirurgia após 20 anos.
Resumo: Ao optar pela tecnologia PSI, estamos a investir numa maior precisão cirúrgica, maior segurança e menor agressão ao seu corpo, maximizando as hipóteses de manter o seu joelho natural e ativo por muitos mais anos.
Ligações ao Drive do médico: abrem apenas com sessão iniciada na conta dele. Provisório, a rever.
Versão para revisão clínica: campos [A CONFIRMAR] por completar pelo médico; consentimento por validar pelo médico e pelos requisitos da unidade.